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Os consortes de Portugal

Coroa RealEm Portugal a sucessão da monarquia nunca excluiu as mulheres de sucederem no trono, embora os filhos varões tivessem sempre prioridade no mesmo grau da linha de sucessão. No entanto, após a restauração (1640), a eventual sucessão por mulheres ao trono colocava sérios problemas aos interesses do estado uma vez que o casamento com príncipe estrangeiro poderia pôr em risco a independência nacional. As imaginárias Cortes de Lamego, que ganharam força legal em 1640, impunham que a coroa portuguesa se mantivesse apenas em mãos portuguesas.

Com a execução e o desaparecimento das poucas famílias principescas nacionais (duques de Vila Real em 1641 e os duques de Aveiro em 1759), a palete dos hipotéticos candidatos portugueses reduzia-se.  

Em rigor o primeiro consorte de Portugal foi o conde D. Henrique de Borgonha quando desposou D. Teresa, filha do rei de Castela e, por doação deste último, condessa de Portugal.

Uma das primeiras oportunidades de termos uma rainha reinante na nossa história moderna surgiu com a princesa D. Isabel Luísa Josefa (jurada herdeira em 1674) filha de D. Pedro II, e cujo matrimónio planeado seria com Vítor Amadeu duque de Sabóia (vd. Ana C. D. Pereira in Princesas e Infantas de Portugal 1640-1736). As cortes de 1679 criaram uma lei para dispensar a princesa das Cortes de Lamego, mantendo-a herdeira legítima da Coroa, ao contrair esponsais com o duque de Sabóia "por esta vez somente" e na condição do duque "transferindo-se a estes Reinos e naturallizando-se n'elles".

A sucessão da princesa nunca se chegou a concretizar e D. Pedro II teve um filho varão que seria mais tarde El Rei D. João V.

  • El Rei Dom Pedro III, infante e prior do Crato 

A primeira rainha reinante será D. Maria I, filha d'El Rei Dom José I. O marquês de Pombal, enquanto ministro, tentou arranjar como noivo uma pessoa de sangue real como D. António (filho bastardo de D. João V e um dos meninos da Palhavã), o infante D. Luís de Espanha, e o duque de Cumberland da Grã-Bretanha.
O único candidato que o ministro não pretendia, mas que a princesa se mostrava mais susceptível a aceitar era o tio, o infante D. Pedro, Prior do Crato. A antipatia que o marquês de Pombal tinha pelo infante D. Pedro devia-se à extrema devoção religiosa deste último e da sua simpatia pelos jesuítas.
De qualquer forma D. José I viu as claras vantagens para esta união. Por um lado a coroa não caía em mãos estrangeiras, por outro a varonia real mantinha-se (descendência patrilinear do rei fundador D. Afonso Henriques), e o dote e os privilégios atribuídos ao príncipe D. Pedro reverteriam a seu tempo para a coroa.
Nesta época não se conheciam ainda os perigos genéticos da endogamia e, apesar de ser desaconselhada pela Igreja, eram comuns as dispensas papais para casamentos reais entre parentes próximos Gravura de S.M. El Rei Dom Pedro III(extremamente frequentes, por exemplo, na família real francesa).

S. A. Sereníssima, o infante Dom Pedro Clemente Francisco José António de Portugal(1717-1786), duque de Beja e Prior do Crato, foi o quinto filho d'El Rei Dom João V, e segundo Zuquete (Nobreza de Portugal e do Brasil) foi o seu filho preferido.
Embora não fosse um intelectual e, mesmo para a época, demonstrasse bastante zelo religioso, foi um dos opositores do marquês de Pombal que se encontravam mais próximos da coroa.
  O seu casamento com a princesa do Brasil duquesa de Bragança e futura raínha D. Maria I, foi promovido pela então rainha-mãe D. Maria Ana d'Áustria.
O marquês de Pombal tentou espalhar o rumor de que o infante D. Pedro seria incapaz para o matrimónio, e de dar herdeiros à coroa por ter tanto fervor religioso e "viver uma vida recatada".
Enquanto rei consorte, D. Pedro III aumenta e reconstrói o palácio real de Queluz tornando-o naquilo que é hoje.
  • S.A.R. Príncipe D. Augusto, Príncipe de Eichstadt, duque de Leuchtenberg e de Santa Cruz 



O segundo consorte de Portugal e também o primeiro príncipe estrangeiro a casar com a coroa portuguesa é o príncipe D. Augusto Carlos Eugénio Napoleão, duque de Leuchtenberg e de Santa Cruz (1810-1835), príncipe de Eichstadt.
 Com a usurpação do rei D. Miguel I, o seu casamento com a filha de D. Pedro IV, a princesa real D. Maria, que tinha sido realizado em 1826 por procuração, foi imediatamente anulado pelo Cardeal Patriarca.
 Como tal, quando D. Pedro IV veio do Brasil para Portugal, combater nas guerras liberais e defender os direitos da sua filha à coroa portuguesa, tornou-se necessário encontrar um príncipe para assegurar a futura sucessão da coroa.
O noivo foi escolhido pelo ex-imperador D. Pedro IV, que providenciou dispensa especial da Carta Constitucional para casamento da rainha com um estrangeiro, e era filho do seu cunhado, o general Eugénio de Beauharnais, duque de Leuchtenberg e da princesa D. Augusta Amália, filha de Maximiliano José I da Baviera.
S.A.R. D. Augusto de Beauharnais foi nomeado S.A.R. Príncipe Dom Augusto de Portugal, duque de Leuchtenberg e Santa Cruzmarechal do exército português e casou-se presencialmente na Sé Patriarcal em Janeiro de 1835, recebendo logo a grã-cruz das três ordens militares de Cristo, São Bento de Avis e Santiago da Espada.
Infelizmente, teve poucos meses de vida após o casamento, e faleceu de uma "angina maligna" a 28 de Março de 1835.
Como mandava a constituição, só após a rainha reinante ter filhos, é que o príncipe consorte seria elevado à dignidade de rei, o que não chegou a suceder. S.A.R. jaz no mausoléu real de S. Vicente de Fora.
  • S.M. El Rei Dom Fernando II, Rei de Portugal e Algarves, duque de Saxe-Coburgo-Gotha 

Vendo-se a necessidade premente de assegurar a sucessão real da rainha D. Maria II, após o falecimento inesperado de D. Augusto, e para evitar problemas de divisões nacionais pela sucessão provável das suas irmãs brasileiras, tornou-se urgente encontrar um outro noivo para a jovem rainha.
O segundo matrimónio realizou-se com D. Fernando Augusto Francisco António, duque de Saxe-Cobourg-Gotha (1816-1885), príncipe em Portugal por decreto de 9 de Dezembro de 1835, e Rei consorte de Portugal, 2º de seu nome a partir do nascimento do seu primogénito em 1837.
Feito grão-cruz das 3 ordens e marechal do exército português. Homem de excepcional cultura e promotor das artes e a quem se deve a construção do Palácio da Pena em Sintra.
Foi presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa. Regente do reino aquando da menoridade do seu Filho El Rei Dom Pedro V.
Tendo falecido a sua esposa, a rainha D. Maria II, casou uma segunda vez em Benfica na capela do Paço da Infanta D. Isabel Maria, com D. Elise Hensler, condessa d'Edla na Prússia, expatriada nos Estados Unidos da América e cantora de renome.

S.M. El Rei Dom Fernando II, duque de Saxe-Coburgo-GothaA prolífica geração proveniente dos reis Dom Fernando II e D. Maria II não chegou, mesmo assim para que a dinastia de Bragança-Saxe-Coburgo sobrevivesse após o falecimento de D. Manuel II em 1932.
Dos seus filhos contam-se:
1) S. M. El Rei Dom Pedro V (1837-1853-1861).
2) S. M. El Rei Dom Luís I (1839-1861-1889).
3) S. A. a Senhora Infanta D. Maria (1840).
4) S. A. o Senhor Infante D. João Maria Fernando Pedro d'Alcântara Miguel Rafael Gonzaga Félix de Bragança e Bourbon, duque de Beja e de Saxe-Coburgo-Gotha (1842-1861) nasceu no Paço das Necessidades (hoje ministério dos negócios estrangeiros) e faleceu sem geração no palácio de Belém.
5) S. A. a Senhora Infanta D. Maria Ana Fernanda Leopoldina Micaela Rafela Gabriela Carlota Antónia Júlia Victória Praxedes Francisca d'Assis Gonzaga de Bragança e Bourbon, duquesa de Saxe-Coburgo-Gotha (1843-1884) casou com S.A.R. D. Frederico da Saxónia e por Acto de 14 de Abril de 1859 renunciou para si os seus eventuais direitos à coroa de Portugal mas segundo a Carta de Lei de 12 de Fevereiro de 1862 poderia reavê-los para si na falta de descendência varonil da rainha D. Maria II segundo a ordem de sucessão disposta na Carta Constitucional. Faleceu em Dresden e teve 4 filhos e 2 filhas.
6) S. A. a Senhora Infanta D. Antónia Maria Fernanda Micaela Gabriela Rafaela d'Assis Gonzaga Silvéria Júlia Augusta de Bragança e Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, duqueza de Saxe-Coburgo-Gotha (1845-1913) renunciou para si aos seus eventuais direitos à coroa portuguesa por acto de 9 de Setembro de 1861, que pela Lei de 12 de Fevereiro de 1862 poderia reaver condicionalmente na falta de descendência masculina da rainha sua mãe D. Maria II. Casou em 1861 na capela do Paço das Necessidades com S. A. o Príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmarigen. Deste casamento nasceram três filhos varões, príncipes titulares de Hohenzollern-Sigmarigen.
7) S. A. o Senhor Infante D. Fernando Maria Luís Miguel Gabriel Rafael Gonzaga Francisco d'Assis António Apolinário de Bragança e Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, duque de Saxe-Coburgo-Gotha (1846-1861). Faleceu sem geração.
8) S. A. o Senhor Infante D. Augusto Maria Fernando Carlos Miguel Gabriel Rafael Agricola Francisco d'Assis Pedro d'Alcântara Loiola de Bragança e Bourbon Saxe-Coburgo Gotha, duque de Coimbra e Saxe-Coburgo-Gotha (1847-1889). Faleceu sem geração.
9) S. A. o Senhor Infante D. Leopoldo (1849).
10) S. A. a Senhora Infanta D. Maria (1851).
11) S. A. o Senhor Infante D. Eugénio Maria (1853) tendo S. M. a Rainha D. Maria II falecido com esta gravidez.